NAVEGANDO NA ESTRANHEZA DOS DIAS

crónicas minhas e…afins


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NO CINTILAR DOS DIAS

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 “Nunca se reflecte sobre o passado para se

poder ser capaz de fazer melhor no futuro”

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 E continuo ainda citando. Desculpem-me mas não posso (e parece que também não quero) resistir.É necessário um processo contínuo de evolução e de autocrítica.” “O que aparece de novo existe (…) por imitação do que aparece na televisão ou do que se lê no jornal”. E ainda: “O que não consigo, pura e simplesmente, é deixar de ter pena daqueles que estão no poder. Pela pouca cultura que têm”. É caso para nos perguntarmos qual dos intelectuais portugueses assim fala. A tão falada globalização que, infelizmente, é real e presente, de forma esmagadora, num único aspecto, o económico, mostra o seu lado total: o da colonização cultural por influência dos produtos que consumimos, mundo fora, via meios de comunicação, cinema incluído. Quem assim fala e eu cito, é Pramoedia Ananta Toer, escritor indonésio.(Vide VISÃO, nº 490, 25 a 31 de Julho (15:17)). Qual de nós, ao ler estas citações, não retrata ou não vê retratados (em diferentes escalas claro), alguns aspectos do nosso país? Temos no governo gente de saberes académicos, mas teremos (a)gentes de cultura? É preciso destrinçar cultura, de repositório de saber académico Conheço eu, e muitos de vós também por certo, gente do povo, analfabeta ou quase, rica de uma cultura feita de olhares vários e reflexão constante sobre a vida.A sua e a dos outros. É nos outros e com os outros que nos (re)conhecemos e construímos a nossa própria identidade ou seja em última instância: a nós mesmos. A cultura quer-se abrangente e empática, despida de pré-conceitos, com olhares que apreendam o sentir dos diferentes povos que habitam esta pequena parcela da Europa, que é a nossa. (A)gentes que sejam capazes de olhar e ver o povo português (de que são parte), com as suas fragilidades, mas também com as suas imensas potencialidades. A questão continua. Teremos nós gentes assim no governo que nos governa, nos que ora se candidatam pelas autarquias do país ou, aqui como na Indonésia, os efeitos da dominação são tão fortes, apesar de fluidos, que muitos dirão não existirem e a cultura é cada vez mais exorcizada, lançada borda fora pelos poderes públicos, dando lugar a um pântano onde os miasmas da mediocridade parecem abafar tudo o resto gerando cansaços múltiplos, perda de identidade, rupturas na coesão social e, como consequência, o estado caótico gerado por tais factores que conduzindo o país na senda da mediocridade não poderão, contraditoriamente ao que apregoam, levá-lo para uma via de desenvolvimento em que não se perca o valor primevo do respeito pela dignidade humana e se tenha em conta a humanidade e o indivíduo como realidade holística e não como mero número, estatística e/ou consumidor_ alimentador do mercado?

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Meu olhar sobre a actualidade politica portuguesa
(2009.09.29)
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Há muito que não faço crónicas sobre a nossa vida política. Cansei-me. É sempre e só, mais do mesmo.
Ontem o P.R surpreendeu-me muito negativamente.
O que ele fez, aquela intervenção, configura claramente um golpe palaciano, um jogo de poder cujo resultado desejável por quem o organizou e protagonizou é a constituição de um outro governo de coligação qe não o que ganhou as eleições.
O P.R:
1. Não falou quando devia;
2. calou-se quando devia falar e bastava dizer que só ele e os chefes das casas civil e militar falam pela presidência;
3. demitiu, sem demitir, pois continua ligada à presidência a fonte enunciada pelo Jornal Público sobre as suspeitas de escutas;
4. Vem, entre eleições, acusar – se tem provas accionava os mecanismos adequados – o partido que ganhou as eleições;
5. vem acrescentar mais uma suspeita de intromissão na base de dados informática da presidência, com destinatário, sendo esse o representante eleito por maioria relativa para formar novo governo.
Ao P.R, do P.R, espera-se bom-senso e a colocação do interesse nacional acima de tudo o resto, timings sem capricho e atitudes que não sejam meras suspeitas mas enunciação de factos e tomadas de atitude consentâneas tendo em conta o país e os seus cidadãos (cada vez vemos não ser bem a mesma coisa).
Esta conversa de 11 minutos, este enunciar de libelos sem provas, esta guerrilha institucional não favorece o país para mais entre duas eleições e a indigitação de um novo governo.
O P.R deveria ter falado com os seu conselheiros, discutido as suspeitas e dúvidas com o actual e eleito futuro 1º Ministro, accionado os serviços devidos para fundamentadamente passar da suspeita – suspeita não fundamentada é boato e termos um P.R criador de boatos não sossega ninguém – e agir depois.
Assim, eu, cidadã deste país, sem mais filiações do que com a minha consciência e integridade permito-me dizer que o P.R fez um mau serviço a todos nós configurando um golpe palaciano e encostando-se, em definitivo, ao PSD e ao CDS-PP.
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ontem vi o céu da noite num estrelado azul
 
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Pois!
 O título deste post é algo estranho.
Concordo com quem assim pensar mas acontece que ontem voltei ao Alentejo.
O ar estava perfumado, as estrelas enchiam um firmamento límpido e azul forte como já não via há anos. 
Foi  um respirar fundo e deixar que tudo, ar, perfume, oxigénio, sentires, visão me preenchesse,
poro a poro, num todo de bem-estar.
                            *
   Hoje o dia amanheceu coberto de nuvens. Lento o seu amanhecer.
Tudo alvo e luminoso apesar da ausência (temporária) do sol.
Choveu. Em poderosas bátegas.
Tudo ficou ainda mais alvo e os perfumes circulam no ar.
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 Pode ser-se “grande” de muitas formas
                                   *
_ Há os “grandes” criminosos que ficarão para sempre na história – exº Jack o Estripador;
_ Há os “grandes” sedutores e/ou amantes imortalizados na literatura, em canções e na memória colectiva –Casanova; Romeu e Julieta ou Pedro e Inês;
_ Há os “grandes” exploradores da sexualidade sob todas as formas, inclusive as socialmente consideradas desvios ou até perversões– Marquês de Sade.
_ Há os grandes conquistadores e a história regista vários – Gengis Khan;
_ Há os “grandes” exploradores e nesta categoria poderemos incluir os grandes navegadoresntes portugueses que “deram novos mundos ao mundo”;
_ Há os “grandes” heróis e heroínas, reconhecidos uns, desconhecidos outros, que são a larga maioria razão pela qual não cito nenhum exemplo.
_ Há os “grandes” cientistas em qualquer área do pensamento e das ciências ditas exactas e poderia continuar interminavelmente este enunciado, mas penso que já deu para ilustrar minha linha de pensamento.
                                     *
Pode-se ser grande para o bem e progresso ou para o mal e retrocesso, seja individual seja colectivo.
Há também os grandes imbecis e penso que o país, em abstracto, se está a tentar classificar nessa categoria. Um dos mais fortes pilares desta minha presunção radica no facto de, em 2007 Salazar ter sido eleito como um dos 10 maiores portugueses de sempre.
                                                                 *
António de Oliveira Salazar fez e fará para sempre parte da nossa herança histórico-política e até, pelo menos ainda, parte da nossa herança cultural.
Pesados os elementos da sua longuíssima governação, colocando em cada um dos pratos da balança o que de bem fez ao país e no outro o que de mal trouxe é inevitável que o prato do mal feito ao país, que intencionalmente estagnou e isolou no tempo com índices sociais vergonhosamente baixos, só comparáveis aos dos então designados países do terceiro mundo – desencadeando uma guerra nos actuais países de línguas portuguesa em África onde a colonização era vergonhosamente primária razão pela qual não é de admirar as consequências menos positivas da descolonização – este último prato cai fundo e desaparece terra a dentro tal o seu peso.
                                             *
Mas muitos portugueses – 41,0% dos votantes – elegeram-no, há  2 anos, como o português mais relevante da nossa história.
Alguém sabe se já foi criada, no célebre livro dos recordes, o Guiness uma entrada intitulada –o povo mais imbecil da história recente?
Espero, mas não muito confiante, que tal anátema não venha a recair sobre todos os cidadãos deste  país.
                                         *
A propósito, ou despropósito (parece-me mais adequada esta formulação) lembro uma frase de outro potencial “grande” português.
O Major Valentim Loureiro: «Estamos num país de pedintes, pés-descalços e invejosos» (in J.N. – comentário feito a propósito do relatório do T.C (Tribunal de Contas) sobre auditoria feitas à administração da empresa do Metro do Porto).

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No cintilar dos dias

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A denominada civilização ocidental tem vindo, ao longo de séculos, a impor os seus valores, a sua lógica e a sua filosofia de vida ao resto do mundo.
Os fundamentos irão desde, uma profunda convicção no seu modo de vida como o mais evoluído, até uma lógica de subordinação e dominação pura e simples, por interesses da mais variada ordem, figurando à cabeça os económicos, na sua forma mais elementar e desumanizada – o lucro a qualquer preço.
Tomemos como exemplo dessa filosofia de vida, apregoada como a mais evoluída e a mais civilizada, o seguinte exemplo que, referindo-se a uma situação alterada há pouco tempo e situando-se no contexto Português, bebe e se alimenta na essência dos valores ocidentais na sua expressão na jurisprudência:
No acesso à justiça, em Portugal, até 1987, o defensor ou o patrono oficioso só era remunerado pelo trabalho atribuído se perdesse as acções de que tinha sido encarregado.
Quem recorria e quem recorre, quem no fundo tem direito a ter um patrono oficioso?
A resposta sabemo-la todos: aqueles que, de entre nós se encontram nas situações de maior vulnerabilidade (económica, relacional, cultural, etc).
Em suma, quem mais precisava de orientação e acompanhamento.
Que perversidade era esta que infiltra(va) os princípios do direito e de justiça?
De onde dimanava?
Se o princípio foi alterado, os valores básicos, nos quais bebeu e dos quais se alimentou, continuam válidos.
Contraponto:
é pacífico que se falarmos da China assumimos estar a falar de uma outra cultura, outros valores, em suma uma outra civilização.
Na China, desde tempos imemoriais que, a medicina é praticada segundo uma lógica antagónica à que fundamenta o princípio de jurisprudência atrás referido e que faz parte do corpo essencial de valores da civilização ocidental
É assim: na China uma família tem um médico a que recorre, três ou quatro vezes no ano, não em situação de doença mas em situação de aferir a sua saúde, identificar o que está menos bem e ser mantida saudável.
É obrigação do médico manter os seus clientes saudáveis, condição em que receberá honorários.
Se alguém adoecer é uma vergonha para o médico e este deverá curá-lo sem receber qualquer pagamento pois a doença instalou-se por incapacidade, incúria ou incompetência do profissional.antagónicas. Numa o primado do quantitativo. Na outra o do qualificativo.
Podemos nós continuar a não entender porque é que as filosofias orientais têm vindo a ganhar adeptos e espaço na nossa civilização?

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Estamos perante duas lógicas

Portugal – a Conspiração da Tristeza

                              *

A conspiração da tristeza apareceu no planeta terra há cerca de mil anos. Circum-navegou-a,
 em busca de poiso, e depois de muito caminhar e reconhecer terreno e gentes, concluiu serem,
 a ponta ocidental e a língua sul da Hispânia o local ideal para assentar arraiais e proliferar à
 vontade sem grandes obstáculos.
Assim fez e os bravos lusitanos que expulsaram os poderosos e organizados exércitos de César
e Napoleão a ela cederam sem se aperceberem.
                    *
NEVOEIRO
          *
Nem Rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo – fátuo encerra.
              *
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

Fernando Pessoa – “Mensagem

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Actos terroristas e (outras) preocupações
Desde os anos sessenta, quando actos organizados vieram a configurar o actual conceito de acto terrorista e estes actos começaram a ser reivindicados, alguma lógica que podia subsistir face à reivindicação foi-se pervertendo.
Se, numa primeira fase, esta reivindicação aportava um sinal positivo, de auto responsabilização e de luta em nome de ideais-outros que não aqueles defendidos pelos governos visados, a escalada de violência a nível mundial e a facilidade com que estes actos passaram a proliferar passou a poder ser utilizada como arma de confusão e eventual manipulação da opinião pública, pois qualquer indivíduo ou grupo podia cometer as maiores barbáries e imputá-las a terceiros, através da simples reivindicação.
Esta passou a ser a assinatura, ou, mais do que isso, a impressão digital que legitimava a responsabilidade do acto.
O facto é que se pensávamos caminhar para um futuro em que tais actos desapareceriam o futuro-presente provou, à saciedade, a falsidade de tal premissa e esperança.
Depois dos actos de 11 de Setembro, vir falar em perversidade da lógica da reivindicação instituída, falando na perversidade que esta mesma lógica permite, pode parecer, a quem fizer uma leitura simplista da vida e das suas ocorrências, desculpabilizante.
O que quero expressar é antes a minha preocupação com esta escalada e realçar o facto de que qualquer pessoa ou grupo pode cometer um acto abominável e imputá-lo a terceiros.
A reivindicação passou a ser uma arma que tanto pode funcionar no sentido inicial como no oposto. Pergunto-me quantas vezes, por este planeta fora, tal não terá acontecido.
Sei que cada grupo usa modus operandi diferentes, tem técnicas específicas que deixam, de alguma forma, a “assinatura” de quem cometeu o acto.
O que também sei é que uma vez identificadas, digamos, as idiossincrasias que permitem “conhecer” o autor material de um acto (denominada cientificamente como “assinatura”) é fácil reproduzi-las e assim imputar-lhe as responsabilidades.
É esta uma perversidade que não me sossega a alma pois multiplica os actos de terror e, em verdade, não nos permite saber quem é por eles responsável.
Se quiserem tomar medidas extremas, contra grupos, ou até países, para as quais a opinião pública não esteja sensibilizada creio que, infelizmente, muitos poderosos podem chegar a este extremo pois a lógica do poder tudo acaba legitimando com sendo em defesa do bem comum (conceito de difícil definição).
A verdade histórica dos factos, apesar de vivermos NA sociedade da informação, escapa-se-nos como areia fina por entre os dedos.

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afinal a causa é outra….

Responsabilizamos a família, a sociedade, todo o ambiente sócio-cultural, afectivo e económico em que se nasce e cresce, por valores e escolhas que determinam nossas
acções…Afinal a ciência acaba de anunciar a possível responsabilidade pelos gostos e feitio/temperamento dever-se tão somente ao código genético de cada um.
De acordo com declarações do investigador Dezso David – do Departamento de Genética do Instituto Nacional de Saúde Drº Ricardo Jorge (INSA) – citado pela LUSA, parece consensual a opinião dos investigadores reunidos num workshop no INSA, no passado dia 29 de Maio, de que os 98% desconhecidos no genoma humano – embora identificados – “influenciam imenso as reacções as estímulos externos (…( somos mais resultado do nosso genoma do que pensávamos. Afinal o ambiente não é assim tão importante e a predisposição dos indivíduos para determinados comportamentos e até certos gostos pode ter o genoma na origem”.
(Fonte: J.N de 30 Maio 2009:40)
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A ESTRANHEZA DOS DIAS
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DA ESTRANHEZA I _Os dias sucedem-se, matematicamente organizados, em semanas, meses e anos.
As estações, com algumas alterações que as fazem parecer mais estranhas do que há umas dezenas de anos, continuam a suceder-se trazendo-nos as belezas próprias de cada uma e o maravilhamento do mundo.
No entanto, se olharmos atentamente, descobrimos, ou pensamos fazê-lo, que há uma “estranheza” nesta regularidade que nos dá confiança e segurança anulando espaços de imponderabilidade e levando-nos a pensar que a vida é um rio que flúi, com os seus acontecimentos, uns menos bons do que outros, mas que flúi numa sucessão de vida e de vidas de que a morte é só uma componente, embora dolorosa.
A vida comporta uma estranheza total que tendemos a esquecer, acomodados nos nossos quotidianos, apesar das violências várias que grassam no seio das sociedades em geral e, particularmente em momentos de muita dor e sofrimento para milhões de seres tão humanos e tão iguais a nós, na essência, como se de nós mesmos se tratasse, em zonas localizadas desta “bola” azul que navega, na imponderabilidade do cosmo e do caos criador.
A violência, seja qual for a forma sob que emerge é, para mim, um motivo de grande, absoluta e total estranheza que me leva, cada dia, a repensar a minha visão do mundo e dos seres estranhos que o habitam e que se intitulam a si próprios “humanos” e se crêem reis desse mundo que os gera, acolhe, alimenta e sustêm, em todos os planos e aspectos.
DA ESTRANHEZA II _ O foro privado da vida das pessoas, sob muitos aspectos, tornou-se público. Entramos no quotidiano das pessoas e nos seus conflitos ou afectos, sem a eles sermos chamados. Contra vontade. Para tal contribuem: por um lado o uso dos telemóveis nas ruas, transportes públicos, cafés e restaurantes, jardins e praças, enfim, em todos os locais que são considerados “públicos” porque comuns. Por outro lado o limiar do contacto físico e de expressões de afecto elevou-se a uma fasquia alta, dada a abertura verificada. E, no entanto, a estranheza assaltou-me quando vi um gesto simples, mas embebido de um carinho, de uma profundidade incomuns, entre duas pessoas idosas. Mais do que o toque das mãos, mais do que o afagar do rosto foi a densidade dos gestos, o cuidado e a solenidade quase mágica (ou religiosa) do gesto envolto na qualidade do olhar que os acompanhava.
E no meio de tantas guerras tão explicadas, mas afinal tão mal justificadas/
compreensíveis, tantas crises, a estranheza dos dias, a estranheza dos nosso quotidiano e a estranheza dos nossos gestos tomou-me de assalto.
Olhemos então, com olhos de ver, para a estranheza que os dias comportam como um instrumento de análise para a compreensão de nós no mundo.

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chamemos-lhes…curiosidades
                                                             I
Em 24 Setembro de 2007 um rapaz de 4 anos matou 443 frangos, no povoado de Jiangsu (província no Leste da China), usando a voz.
O rapaz que acompanhava o pai na distribuição de gás assustou-se – pelos vistos muito – com o ladrar dos cães.
De tal forma foi o susto que a criança gritou e gritou a plenos pulmões.
Resultado: em pânico os frangos corriam doidos e esmagaram-se uns aos outros.
O tribunal condenou o pai a indemnizar o criador de aves por considerar não ter acontecido nada de diferente para além dos gritos da criança.
(notícia no JN: 30.01.2007:60)
                                                    II
Esta é portuguesa.
Uma professora, com três décadas de ensino na Escola do 1º Ciclo de Almedina – Coimbra,
colocou ao peito de alguns alunos um dístico com os seguintes dizeres:
«Sou agressivo, não tenho direito de brincar. Estou de castigo.»
Assim os alunos tinham que se passear na escola e recreio.
A justificação dada pela coordenadora da escola para este acto anti pedagógico (digo eu) foi:
«Esgotaram-se todas as metodologias possíveis.»
Aguardo os vossos comentários

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Real
 
Terror –s.m. (do lat. Terror,-õris).
1.Grande medo,pavor”.
“Terrorismo –s.m. (De terror + suf. -ismo)”
 
1 _Uma jovem, (à data da boda) recém licenciada, casou-se.
A despedida de solteira, que queria fazer mas que encontrava sempre mil entraves, acabou por se realizar com o empenho de duas amigas e colegas.
Foi uma despedida de solteira a três vozes. Somente a três vozes. A da noiva e a das duas amigas que não lhe deixaram esmorecer esse sonho. O jovem casal tinha em construção a sua futura casa. Avaliando a divisão do espaço o noivo deixou cair: “preocupa-te com a cozinha e com a copa pois é aí que vais passar o teu tempo. O “canudo” bem o podes meter na gaveta”.
A despedida de solteira foi restrita (eufemismo) porque o noivo não autorizou o alargamento a outras e outros amigos e, na vida pós casamento, tem desenvolvido uma política sistemática de isolamento da mulher.
Todas as amigas constataram que perto do noivo ela fica constrangida. Mais, tensa. Não ela. Num estado de letargia nervosa aguardando sinais dele que lhe permitam respirar.
De facto o canudo está na gaveta. Esta jovem é infeliz (diz quem a conhece e observa as suas atitudes e comportamentos) e ainda o não sabe ou pensa poder reverter a situação.
2 _ Uma jovem de 15 anos namora. Um dia acontece ter relações sexuais com o namorado. Um acto que deveria ser de beleza torna-se um pesadelo. O namorado usa-a como uma coisa, mas não uma coisa qualquer: uma coisa sem qualquer valor. Passa a escravizá-la para obter tudo o que quer dela (sexo e dinheiro) não se coibindo, inclusive, de a maltratar fisicamente, sempre que lhe apetece, sob a coacção de: “ ou vens já ou telefono aos teus pais a contar que tivemos sexo”
Como podemos ver, a violência e o terror esconde-se por detrás de muitas faces.
Nota bene – As situações não são ficção. Todas as semelhanças com o real são verdadeiras.

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Portugal – a Conspiração da Tristeza
 

A conspiração da tristeza apareceu no planeta terra há cerca de mil anos.
Circum-navegou-a, em busca de poiso, e depois de muito caminhar e reconhecer
terreno e gentes, concluiu serem, a ponta ocidental e a língua sul da Hispânia
o local ideal para assentar arraiais e proliferar à vontade sem grandes obstáculos.

Assim fez e os bravos lusitanos que expulsaram os poderosos e organizados exércitos de 
César e Napoleão a ela cederam sem se aperceberem.

NEVOEIRO

Nem Rei nem lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil e ser

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer –

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo – fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

(Que ânsia distante perto chora?)

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

 

Fernando Pessoa – “Mensagem”
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Trocamos a liberdade pela segurança?
 
As notícias dos últimos dias em Setúbal entristecem e inquietam.
Os media divulgam notícias sem fim de agressões, roubos, furtos, agressões, ataques com diferentes graus de violência, assaltos, etc.
A insegurança cresce nos cidadãos.
Estrangeiros residentes em Portugal, dizem que uma das razões porque gostam de cá residir tem a ver com a liberdade de passear e da segurança sentida e vivida.
Os brasileiros são, inequivocamente, uma das vozes fortes no tocante a este aspecto.
No entanto na população portuguesa, embrulhados que andamos nos nossos “pseudo brandos costumes” o medo e a insegurança alastram.
Bom é que lembremos esta afirmação pelo que contém de verdadeira:
«Quem prescinde da liberdade essencial para garantir uma pequena segurança temporária não merece nem a liberdade nem a segurança.»
Benjamin Franklin
Publicada em GlobPt
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TOMÁSIA DIONÍSIO
Tomásia Dionísio (ou Dionísia?), Alentejana de Almodôvar é a apoiante nº 1 de Cavaco Silva (C.S) – segundo a jornalista que cobriu a reportagem.
A sua voz sobrepunha-se às outras no entusiástico apoio ao candidato.
Interpelada se era a apoiante nº 1 de C.S, respondeu: Sou toda do Cavaco!
A jornalista continuou a falar com ela sobre esta questão ao que esta respondeu: Elas dizem que eu sou P.P.D, mas não sei o qu’é que querem dizer com isso….!
 
(Ouvido em directo na última campanha presidencial)

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Escrevo nos dias cinzentos, ou no cinzento dos dias

já que o SOL brilha, senhor absoluto dos céus intocados pelas nuvens grávidas de chuva.
Então porquê esta alusão ao cinzento perguntar-se-á quem ler?
São os cinzentos dias dos políticos, seus fatos, suas falas, seus discursos, suas propostas, mas, em minha opinião, também dos opinion makers de serviço, dos comentadores, que fazem análises tão absolutas e destrutivas que me parece só potenciarem o negativismo, a descrença total em nós enquanto indivíduos e  país.
A sensação que tenho, ao ouvir estes últimos, é a de que procuram, denodadamente, encontrar novas teorias. Algo que os possa deixar na história dos comentadores. Novas hipóteses, ou novas teses, diferentes das expressas no dia ou na noite anterior. Como não é possível avançar com hipóteses diferentes e credíveis com vinte e quatro horas de diferença, ou menos, é o vale tudo.

Temos que esperar mais uns dos outros. Temos que ser exigentes. Connosco primeiro, com os outros depois.

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COISAS que sempre devemos lembrar e…fazer lembrar
 
Há emoções, sentimentos, momentos, pessoas, acontecimentos, dias, que nunca podem ser esquecidos.
MAIS: devem ser lembrados!
Uns porque são bons. Aquecem ou acalmam a alma nos momentos de tormenta, reconfortam em tempos nebulosos.
Outros porque são/ foram maus, negativos, e não devemos esquecer os erros, mas deles sempre tirar ilações,aprender a(s) lição(ões).
Nem os primeiros têm nada a ver com saudade, sequer com nostalgia, nem os segundos com negativismo,pessimismo, auto-flagelação, masoquismo…
Têm a ver com a construção do SER, da sua identidade, individual e colectiva.
Enquanto seres “humanos”, habitantes desta pequena bola que rebola no espaço – servem, devem servir – para a construção de uma identidade que possa, sem vergonha, de facto e de justiça, assumir a designação: HUMANOS/HUMANIDADE
 

 

 

 

 

 

 

 

 

………………………….
A doença é um estado de quê?
 
De ausência de saúde? Mas que diabo é uma coisa ou outra?
Vejamos, os denominados hipocondríacos não têm qualquer doença real (à luz da ciência orgânica),
mas têm todas as doenças que lhes passam por perto. Captam os sintomas miméticamente (?),
sentem-nos e sofrem-nos e acabam por sofrer de uma (não-)doença denominada hipocondria.
   Está provado que as enxaquecas existem (não são uma desculpa não!) e são uma das maiores
causas de falta ao trabalho nos países, provocando grande padecimento a quem as tem. No entanto
muita gente continua a considerar que não existe tal coisa… Chiliques de senhoras…
  O mesmo acontece com a maioria das doenças mentais. Até muitos psiquiatras – se estiverem numa
junta médica então é um gozo – tratam os pacientes como preguiçosos-criminosos que arranjaram aquela
desculpa para se furtarem ao trabalho e que sem respeito pelos colegas assim os sobrecarregam.
  As depressões…bom, outra graça. Uma doença que se trata e cura em seis meses (6). Muitos assim o
continuam a afirmar. Não há uma, mas múltiplas, não só na génese como nas consequências. E nenhuma
depressão é tratável em seis meses quando consideram que este tratável corresponde à cura. Falso.
Arrogância ou burrice?
Condescendo que, nesse período, possam por o paciente funcional em termos laborais. Torná-lo “útil”!
 Mas nenhuma depressão tem cura definitiva. A ferida fica. Não sei em qual dos corpos que nos constituem.
Mas fica e podem reabrir com mais violência como acontece com tantos vulcões inactivos.
   A doença bipolar, outro achado. Está cientificamente credenciada e comprovada. Existe enquanto doença.
Mas ai dos bipolares… Conheço algumas situações e só não são hilariantes porque acarretam grande sofrimento
– a maior parte deste acrescido pela incompreensão social.
 
  A infelicidade, creio ser um estado de doença não reconhecido como tal.
O humano deve viver em felicidade e bem-estar físico, moral, social e psíquico, total.
Conheces alguém assim?
Então estamos todos doentes.
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11 comentários »

  1. Mas os políticos deveriam redobrar os graus de exigência,

    porque estão lá para servir a comunidade…

    e não, servir-se dela.

    Cumprimentos

    Comentar por vieira calado — 2009/04/23 @ 13:09 | Responder

  2. Concordo consigo…
    Precisamos de dar cor, acreditar que se pode mudar…
    O arco-íris é um paraíso, mas nenhum o vê…
    Beijos e abraços
    Marta

    Comentar por Marta Vinhais — 2009/04/23 @ 13:34 | Responder

  3. “São os cinzentos dias dos políticos, seus fatos, suas falas, seus discursos, suas propostas, mas, em minha opinião, também dos opinion makers de serviço, dos comentadores, que fazem análises tão absolutas e destrutivas que me parece só potenciarem o negativismo, a descrença total em nós enquanto indivíduos e país.”

    Sinto que estamos numa época deveras cinzenta. Não que não tenham existido outras, mas já não estávamos habituados. A vida parecia sorrir. Depois um dias começámos a ouvir falar em despedimentos em massa… e esse foi o centro de tudo, para nós, simples mortais “não políticos”. Depois, os juros… depois…

    Comentar por Raquel Vasconcelos — 2009/04/23 @ 18:54 | Responder

  4. Para resumir o que penso daquilo que aqui referes direi apenas:isto tudo anda a precisar de uma grande volta.

    Comentar por peciscas — 2009/04/24 @ 17:14 | Responder

  5. Após 35 anos do dia da Liberdade, chegamos à triste conclusão de andarmos a jogar à cabra cega Infelizmente todos os políticos têm duas caras. A que mostam antes das eleições e a que mostram depois…Os sentimentos e as emoções dos povos passam para o último plano.
    Obrigada querida poeta, pelo teu excelento texto.
    Bji

    Comentar por Teresa Gonçalves — 2009/04/24 @ 22:11 | Responder

  6. Crónicas deliciosas e bem reais. Que nos dizem da verdadeira dimensão da iliteracia geral, da ignorância mas também do oportunismo político que leva ao descrédito das instituições.

    Passados 35 anos do 25 de Abril há que dar uma cor mais rubra aos cravos que empunhamos, há que manter a força e a coragem e o discernimento para saber separar o trigo do joioa e e continuarmos a tentar construir o que ficou por cumprir das promessas iniciais. Porque o 25 de Abril somos nós que o vamos construindo, exigindo que não nos retirem o que é nosso.

    Obrigada pela tua lucidez, minha amiga!

    Comentar por julia coutinho — 2009/04/26 @ 10:55 | Responder

  7. obrigado, querida amiga, pelo excelente texto e pela sempre grande aposta no Ser que encontro aqui!!!!

    um grande beijinho
    jorge

    Comentar por Jorge Vicente — 2009/05/07 @ 16:13 | Responder

  8. Acho bem que clames pelas cores do Universo para colorir este Mundo que começa a ficar bastante cinzentão. Como sabes sou sempre a favor das coisas coloridas.
    Bjs
    TD

    Comentar por TERESA DAVID — 2009/05/12 @ 17:17 | Responder

  9. Infelizmente esta espiral de violência só tenderá a crescer.
    Estamos numa crise muito séria que está a levar ao desespero crescntes franjas da população.

    Comentar por peciscas — 2009/05/12 @ 18:20 | Responder

  10. Oremos para que não se volte a repetir, nem em Setúbal, nem em nenhuma localidade do país. Já acreditei mais nos brandos costumes…
    O cântaro tantas vezes vai à fonte…
    Adorei ler a tua crónica da actualidade.Parabéns.
    Bji e tudo de bom.

    Comentar por Teresa Gonçalves — 2009/05/12 @ 18:31 | Responder

  11. “Real”

    Impressionantemente REAL! De se nos apertar o coração!
    É muito fácil manobrar uma pessoa que está emocionalmente fragilizada. E que a cada dia vai ficado pior até apenas acreditar no que a outra pessoa lhe diz.

    Comentar por Raquel Vasconcelos — 2009/05/17 @ 11:57 | Responder


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